25.4.14

por segundas, terceiras, quartas impressões.



Estou ouvindo Lorena Chaves. E surpreendentemente gostando e querendo mais. Isso é  estranho, eu já a ouvi e a primeira impressão foi péssima. 
Tenho um ouvido extremamente chato pra música. Não gosto de tudo e frequentemente se gosto de uma coisa na primeira vez vou gostar sempre se desgosto, desgostarei pra sempre. É bem simples a equação. Mas a Lorena veio e mudou isso, um pouco.
Agora a noite resolvi ouvir novamente o álbum da Lorena que tenho no notebook e desde então as músicas já repetiram várias vezes. Que bom que a Lorena teve a chance de uma segunda impressão.
Estou cá me perguntando quantas vezes perdemos momentos, lugares, pessoas, músicas, livros porque tivemos uma primeira impressão péssima? Acho que no fundo todos nós temos um síndrome de Elisabeth Bennet: julgar na primeira impressão e ponto. Isso facilita a vida pois nos evita eternas chateações, o problema é quando isso se torna uma regra e no meio da chatice perdemos aquela poesia, aquele acesso de beleza, um provável grande amigo.
Um exemplo clássico disso pra mim vem de minhas relações mais próximas.
Lembro perfeitamente o primeiro dia quando comecei o curso de Psicologia: uma sala cheia de mulheres e cinco homens perdidos; entre essas mulheres chegou uma menina meio índia meio negra, cara de ryca e pedante, um livro sobre Nietzsche debaixo do braço, uma desenvoltura para discutir com os professores cursos e especializações em Psicanálise e uma língua super afiada para o sarcasmo e a ironia com quem falava alguma bobagem na turma. Fiquei com um medo tão grande dessa menina e disse a mim mesma para evitá-la a todo custo, pois ela tão cosmopolita ia com certeza rir de mim tão desengonçada e troncha. Sabe qual a minha sorte nessa história? Eu tive 5 anos e várias impressões posteriores para descobrir que havia mais. E hoje depois da faculdade Gabriela Cruz é uma das pessoas mais queridas que a Univasf me deixou: uma moça extremamente delicada, atenta à poesia, aos bons livros (me apresentou Kundera e Karenina), bom gosto para filmes, boa, pessoa boa boa. E meuDeus se eu não tivesse chegado perto eu não teria essa amizade tão importante!
É bom todo dia descobrir o que a Lizzy demora um livro inteiro: primeira impressão é só isso, primeira. Para conhecermos de fato alguém ou alguma coisa precisamos de segundas, terceiras, quartas, quintas, enésimas impressões. Porque tudo é mais que o momento. Há tanto além do que se vê.

1 !:

Mª Fernanda Probst disse...

Tenho disso também. De desgostar e criar aversão. Não conheço essa cantora, mas vou ouvir. Te digo a primeira impressão e, se for ruim, vou tentar ouvir mais vezes.


Beijocas

(tá lindo o layout novo)

Ailma Barros,
mais de mil perguntas sem resposta, muito prazer!

 
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