17.4.14

sobre o luto em Macondo

Mestre,



hoje eu morri um pouquinho. Sinto uma parte morta em mim.
hoje o mundo ficou pior. E eu fiquei mais triste.
Meu amigos me ligaram e outros deixaram tweets para me consolar sobre a tua morte. Eliana Brum agradeceu a você por ter vivido. Eu também te agradeço.
Você nunca terá a noção da tua importância pra minha vida, mestre. Com você me apaixonei pela literatura. Aprendi literatura. Quão bem você me fez e me faz. Você me deu uma família onde eu me encaixava, sou Buendía; você me ensinou que as vezes a posição de poder é o lugar mais solitário e paranóico do mundo. Você me mostrou que há poesia em determinadas tristezas e solidões.
Como não lembrar do cheiro das amêndoas, ou das 32 revoluções fracassadas? Estou sem graça. Você leva o realismo mágico de minha vida, e apesar disso quanta mágica você deixou!. Parecia que você estava sempre comigo, instigando o amor pela América Latina, a esperança de que há um futuro, a certeza de de que sempre teremos amores contrariados. O mundo ficou embrutecido hoje temos apenas o realismo real. Perdemos um mestre da inventividade, um dos poucos que fez o mundo se curvar ante um latino americano.



Como chorei. Com você morrem tantas coisas boas de mim. Com você morre meu eterno sonho louco de me sentar contigo em Cartagena e falar sobre Macondo e redondezas. Como meu coração tá doendo! Quanta taquicardia, quanta dor! Esse aperto oprime. Nunca vou conseguir te dizer adeus. Mestre, você é um dos grandes que se vai e me deixa tão só. Tão a mercê do cinismo e da crua realidade. Quero mais realismo mágico, quero mais Gabriel Garcia Márquez!
Meu Deus.... Gabo não.
(eu não estou preparada para viver no mundo onde você nunca mais escreverá ou proferirá aqueles discursos que não canso de ler em "Eu não vim fazer discurso").
Gabo, obrigado por fazer literatura e por transformar minha vida sob tantos aspectos. Tu é uma das minhas referências intelectuais sempre. Alguém disse que hoje a realidade perde um pouco de sua fantasia e  ficamos mais pobres. Essa é a sensação: vazio, pobreza, o mundo ficou de ponta cabeça de vez!
Hoje o desconcerto e a estranheza me habitam e não tenho o consolo de poder fugir pra Macondo. O lado bom é que há livros onde você vive, e no final o que importa é isso não mestre? Aprendi com você que a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda. #AdeusGabo, não nos recuperaremos tão cedo de tua partida.


Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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