3.7.13

Parabéns Franz!

Hoje, Franz Kafka, se estivesse vivo completaria 130 anos. 
Será que seriam dias kafkianos?



Tá aí, Franz, eu queria sentar pra conversar com você. Ou não, só sentar e ficar te olhando encabulada pensando como alguém pôde ser tão criativo assim!

Será se o Franz queria viver muito tempo? Será se ele tinha a pretensão de ser lembrado um século depois? E se ele ainda estivesse vivo vagando na República Tcheca? Puxa, ele seria muito velho; mas tenho certeza que continuaria absolutamente genial. Porque só a genialidade explica um ser humano conseguir escrever dois livros claustrofóbicos como O Processo a A metamorfose, e nos atrair tanto. 
Eu amo Kafka, li três dos seus livros, além dos já citados também li e tenho cá As narrativas do espólio. Cartas ao meu pai é um dos livros que pretendo ler e ter. Sempre agradeço a Talles por ter me apresentado ao Franz quando me emprestou O processo.
Mas porque Kafka é tão importante, comentado, discutido, analisado? Ele não é nenhum George Martin com seus livros extensos, os de Kafka são pequenos, mas são precisos. Kafka fez o que poucos conseguem fazer: literatura brilhante, interessante e crítica da sociedade.

Metamorfose, meu livro favorito dele, conta a história claustrofóbica de Gregorio Samsa, que num belo dia acordou uma barata. Assim do nada e simplesmente. E logo adianto: no final do livro, ele continua barata. Não leiam esperando finais felizes, aqui não é Disney, é Kafka.  A graça dos livros não está na primeira ou na última folha, está no meio disso. E a Metamorfose é uma das melhores críticas à sociedade moderna. Com Kafka percebemos o quanto a sociedade é brutal com os diferentes, notamos que a partir do momento em que Gregório não pode mais trabalhar poque virou uma barata, ele se torna um estorvo pra família, algo de que se envergonhar. Isso é a modernidade. O que a família Samsa faz com seu membro-barata, nós fazemos com os idosos, as pessoas com transtornos mentais, as crianças. E Kafka, com Gregório Samsa denunciou tudo isso. O grito alto que o livro faz é: apesar de minha aparência, eu sou humano. E confesso: o livro me angustia e ao mesmo tempo me comove. E me empolga! É empolgante ver que ainda no inicio do século XX alguém já denunciava que tudo estava errado. Kafka é lindo!
Não vou falar de O Processo, o segundo livro mais famoso do Franz, porque conto logo tudo e estrago a graça das coisas, mas a lógica é a mesma. Com Josef K., Kafka nos leva a situação totalmente inusitada, meio esquizofrênica, sem final de contentamento, um sensação de sufoco em função do excesso de burocracia, uma certeza da nulidade de certos processos que enfrentamos na vida. Ou seja, outra feroz e certeira crítica à sociedade.


O fato é que há um século ler Kafka é angustiantemente bom. E ponto.



Franz, obrigado por ter vivido tão pouco
e ainda assim ter deixado um legado enorme.
O Google e eu não esquecemos de você hoje.


1 !:

Matheus Carneiro disse...

O Kafka realmente era incrível! Também amo o livro A Metamorfose, e, repetindo e amando: "Não leiam esperando finais felizes, aqui não é Disney, é Kafka." Lindão o teu post sobre ele!

Um abraço,
www.carneirismo.blogspot.com

Ailma Barros,
mais de mil perguntas sem resposta, muito prazer!

 
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