5.12.12

dos mal amados desse trópico.




Pois é . O amor faz isso e não a cólera. O amor nos faz tolos. Nos faz redigir uma carta de setenta e sete páginas e descartá-la entregando só um pedaço de papel com uma frase, sussurra o Florentina Ariza. O amor nos dá febre e medo. O amor nos mostra o quanto não somos bons o bastante. E me parece que quanto mais amamos mais patéticos ficamos. O amor nos deixa pálidos e meio esquizofrênicos. Nos torna perseguidores. O amor nos faz chorar com um velho bolero. O amor nos faz comer terra novamente não é Rebeca Buendia?! Ele tira a nossa boa noção de tempo e gerações. Ficamos velhos apaixonados por meninas. O amor nos amarra a loucos por toda uma vida e deixa somente secura, me diria a Úrsula Buendia. O amor nos mata de engano me lembra o Santiago Nasar. O amor não respeita a nossa genética, a Amaranta aponta. O amor nos leva a revoluções fracassadas. O amor sem esperança é uma terrível calamidade pública e ainda assim nós esperamos. Esperamos cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias se for preciso. E nos contentamos com tão pouco. Um olhar é a glória. Um sorriso em nossa direção, EPIFANIA! O amor nos ensandece.  O amor nos enfraquece e nos embrutece. 
A verdadeira moléstia tropical é o amor sem esperança, não a cólera.

2 !:

Mia Sodré disse...

Texto digno de ser publicado no facebook e compartilhado mil vezes. ♥

Eu nunca disse adeus.. disse...

"O amor nos dá febre e medo. O amor nos mostra o quanto não somos bons o bastante. E me parece que quanto mais amamos mais patéticos ficamos."



Isso é muito verdade. Parabéns

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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