Ou ainda: o amor cria irregularidades.
A minha série de TV favorita é
uma ficção científica. Se chama FRINGE e abordava questões que do ponto de vista
hipotético são absolutamente possíveis na Física, na Biologia e na Química como
telecinese, hibridismo, mundos alternativos e quebra do tempo espaço. Eu sou
apaixonada por essa série. Gosto de tudo a respeito dela. Mas principalmente
gosto de um episódio em especial, o oitavo da segunda temporada: August.
FRINGE é trabalhada a partir de
grandes segredos. Um deles é a existência de seres que podem viajar no tempo e
apenas observam os costumes humanos. Eles aparecem em grandes momentos da
história tem uma alta tecnologia e aboliram de seus organismos as emoções
humanas. São chamados de Observadores e são seres típicos de uma distopia.
Como eu disse eles não interferem
no nosso mundo, apenas observam e coletam dados para a sua “invasão” na última
temporada. No entanto nesse episódio um dos Observadores sequestra uma moça. E
boa parte do tempo a equipe FRINGE e os outros Observadores querem saber porque
ele interferiu na vida da moça, porque ele a sequestrou, já que ela é uma
pessoa absolutamente comum que não teria importância nenhuma nos rumos futuros
do mundo. No meio do episódio descobrimos que a moça iria viajar de avião e a
aeronave cai no meio do mar. Daí concluímos que: ele não a sequestrou e sim a
livrou da morte. Os demais Observadores resolvem que a moça precisa ser morta
já que esse é o destino dela. Ela não é importante, é o que eles dizem. A vida
dela precisa ser destruída porque esse era o curso natural da vida.
A moça não tem importância e sua sina
é morrer. Mas o August (é o nome do Observador em questão) diz que precisa
mantê-la viva. Ele diz que ela é muito importante. Ele tem certeza que ela é
muito importante. E em conversa eles percebem que só ele sente isso. Para os
outros ela é insignificante, para ele, ela é especial. O engraçado é que todos
os Observadores por não terem emoções humanas ficam confusos com a insistência
do August. Ele sabe que os outros vão mata-la. E daí ele pede ajuda ao Walter
Bishop. O Walter diz ao August que ele precisa tornar a moça em alguém
importante. Ele precisa provar a importância dela para os outros.
O resultado: o August permite que
o assassino que ia matar a moça mate a ele. Ele assume o lugar dela. Ele morre
por ela e num diálogo final ele diz: “Ela é muito importante para mim. Acho que
isso é o que eles chamam de sentimento. Acho que eu a amo”. O outro Observador
reconhece: “Sim, agora ela é importante. Nada de mal vai acontecer a ela. Por
causa dela um de nós morreu. Ela se tornou importante”.
Nessa hora eu morro de chorar. Há
há há. E concluo em lágrimas: o amor que o August sentia pela Cristine (é o
nome da moça) salvou a vida dela e humanizou a vida dele.
É legal ver distopias porque
todas elas concluem o mesmo: o amor nos humaniza. O amor nos salva. Alguém ordinário
se torna especial aos olhos daquele que o ama. E olhar concretiza a
importância.
A segunda conclusão disso é: essa
história do August me lembra o Cristianismo. De igual forma Jesus, movido por
amor, morreu para que eu vivesse. O que era ordinário e sem importância. O que
estava destinado a morte, na cruz recebeu uma nova chance de
vida e se tornou importante.
Durante 40 minutos de episódio a
pergunta que todos fazem é: Porque essa moça é importante? O que tem de especial
nela? E nos últimos 10 segundos descobrimos que ela é importante porque é amada
por alguém disposto a morrer para que ela viva. Isso me traz uma lição
fundamental: se eu acredito que Jesus morreu por amor para dar vida a mim e a outros, porque insisto em esquecer a importância disso e trato as pessoas de maneira
tão negligente? Se eu vivesse lembrando disso a minha atitude natural seria
olhar o outro (não importa quem ele seja) como alguém importante, não por si mesmo
ou por méritos próprios, meu olhar devia ser de olhar o outro e admitir sua
importância por que ele é amado a ponto de Alguém morrer para que ele viva. Não
posso esquecer que o Amor humaniza e torna importante coisas ordinárias. O amor
singulariza. E frequentemente o amor não faz sentido. Ele desconcerta mesmo.
3 !:
Adorei seu blog!!!
Me faça uma visita.
http://eloavinhal.blogspot.com.br/
Um sorriso entusiasmado ;)
Comecei a ler o post, mas parei quando me dei conta de que SPOILERS, hahahaha Essa é uma série que ainda pretendo assistir e não quero estragar a experiência lendo qualquer coisa que possa me fazer perceber que OPA, JÁ SEI O QUE ACONTECERÁ. :p
Beijo ;*
"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante... te tornas eternamente responsável por aquele que cativas " saint exupery
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