6.3.14

Prazer, Jonh Hughes



Por cinco dias na semana trabalho com adolescentes todas as manhãs. Adoro meu trabalho. Me sinto de fato útil e que estou fazendo as coisas de um jeito muito consciente e isso me agrada demais. Mas o que importa é: trabalho com adolescentes. Crianças "normais". Mas só eu sinto que ser normal é por vezes tão doentio?
O fato é: ser adolescente não é fácil, quem discorda disso nunca foi adolescente. Pense que em nenhuma outra época da vida somos tão cruéis sem razão e tão taxativos sobre as coisas e tão radicais. E quanto sofrimento há nisso. Todos os dias ouço meninos e meninas que vivem com pais que não os entendem ou em casas bem desestruturadas, crianças que não se sentem bem nesse corpo que Deus lhe deu, outras que se perdem tentando mostrar que são o que não são. É uma barra. Para mim particularmente  a adolescência é uma porcaria. Temos que lidar com a pressão ridícula dos esteriótipos e pelo amor de Deus se você nunca lidou com isso, nunca ficou grilado, nunca se sentiu meio mutante logo ou você tem Aspeger ou é a Madre Tereza.
O que fazemos então? Criamos grupos, adoramos cantores-atores que em 2 anos ninguém mais vai lembrar, assumimos papéis que no futuro vão de certa forma nos dar uma vergonha interna. E tudo isso é muito natural. E muito sofrido.
Aí temos uma mídia bem medíocre que vende um ideal de corpo, de relações, de roupas, jeitos de ser. A própria ideia de rebeldia é criada pela mídia para nos acomodarmos nela. Uma loucura total. E o porque dessa conversa toda sem pé nem cabeça? É pra falar do John Hughes.

Pretty in Pink. Meu primeiro Hughes.

O John é um diretor, roteirista e produtor de cinema, para mim um dos melhores. Foi um dos maiores nomes dos anos 1980 porque conseguiu fazer o impossível: filmes  adolescentes bons.
É uma impressão só minha a de que os filmes adolescentes (especialmente os americanos, já que existem uns franceses tão legais como a Belle Persone) são todos vazios e estereotipados: menina feia e antissocial é notada pelo cara mais popular do colégio, em geral um atleta (basquete, hóquei, basebal ou futebol americano) começam um romance e mudam algumas coisas. Sempre a mesma coisa.

Ferris Bueller's Day Off, a alegria nossa da Sessão da Tarde

O John fez diferente: ora ele fez um filme só de garotos populares que de fato eram muito legais, ou quem aí nunca dançou Twist and Shout em  Ferris Bueller's Day Off  (aqui no Brasil, Curtindo a vida adoidado); outra vez o John fez o clássico menina-ninguém-e-rapaz-alguém, mas ele mudou as regras do jogo ou você também não ficou encantada vendo  Pretty in Pink (aqui, A Garota de Rosa Shoking)? E ele surpreendeu a todos para sempre juntando todos os esteriótipos possíveis sobre a adolescencia em uma biblioteca e depois desmontado cada esteriótipo lembrando que em cada adolescente há um ser humano, com pressões e impressões, com jeitos tão específicos e tão abrangentes de ver o mundo, ou pelo menos foi o que vi no meu favoritíssimo The Breakfast Club (aqui, O Clube dos Cinco).
Hughes conseguiu. Com sátira e muita sensibilidade ele abordou vários conflitos da adolescência e apesar dos filmes terem sido produzidos e lançados na década de 80 do século passado, os dramas e as alegrias permanecem as mesmas. O cineasta conseguiu ser atemporal. E isso é difícil quando se trata de um tema tão controverso.

O clássico cult anos 1980: The Breakfast Club.

Outra coisa bem legal que ele faz nos seus filmes é tentar reproduzir a realidade: o Ferris, se estivesse em outro filme adolescente teria uma grande lição para aprender sobre filar aula, enganar os pais e ridicularizar com o diretor, no jeito Hughes de fazer filme isso não acontece, e o Ferris só se dar bem do começo ao fim do filme. Em Breakfast Club, após os cinco conversaemr e desnudarem suas almas, fica a inquietação se depois na rotina normal do colégio eles vão ser amigos e a resposta é não. Isso é vida minha gente!


Queria que todos os adolescentes vissem filmes assim e percebessem que muitas das suas inquietações passam. E rissem e se divertissem com o lado bom da sétima arte e da vida.

1 !:

Hilza de Oliveira disse...

Twist and Shout, twist and shout!
Foi minha felicidade ver Curtindo a vida adoidado na sessão da tarde! Mas confesso que esse é o único filme que assisti do diretor, tsc, vaias para mim!

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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