11.8.13

inveja literária

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
|Drummond|


Um blog para mim é como um palanquinho com uma luz única diante de um auditório vazio. É um espaço terapêutico. A gente vem, diz as inquietações que estão bagunçando tudo dentro da gente, fica aliviado e e volta pra o cantinho escuro. Simples assim. Não uso o blog como um espaço de compartilhar minha opinião com ninguém. As vezes falo sobre um filme, um livro, uma série, um personagem, mas não são resenhas, sinopses e coisas afins, é só a falta de quem conversar sobre, venho aqui e falo em voz alta para o vazio. Vi inúmeras reportagens que profetizavam a morte do blog depois do boom do facebook, e de novo com o twitter e de novo com o instagram. Para mim a blogosfera continua mais viva que nunca. Eu ainda venho aqui volta e meia e digo o que quero (deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar!!). 
Tem muita gente que tem blogs super movimentados e conhecidos, mas não me encantam de maneira nenhuma, porque falam muito mas não dizem nada. Fazem DYVs, opinam sobre vida e morte e falta de sorte, mas não dizem nada, se contentam em nada na superfície, se expõem sem de fato se expor, não estabelecem aquele contato de uma alma para outra que é fundamental na poesia e para mim na blogosfera também. Não gosto de posts sobre look do dia, ou resenhas dos livros modinha. Descobri que gosto muito de posts sobre fotografias (a culpa é da Gabi Melo do 187 tons de frio, que tem os melhores posts assim), curto os desabafos feministas, humanistas. Gosto de quem tem uma causa, ainda que eu não partilhe da mesma. 
Eu sou uma analfabeta na blogosfera. Não sei de html (essa semana me senti porque consegui mudar uma cor!), ou de termos apropriados ou de como conseguir seguidores, comentários e bla bla blá. Na verdade nada disso me interessa. Meu blog é MEU registro, logo não tenho inclinação ou paciência pra ter um blog famosinho e tal. Sigo uns blogs famosos, mas a motivação é só que as moças que os escrevem são fantásticas. Tem a Gabi, que já citei; a Mia do Wink, a Nina do Sobre fatalismos. E só. Sei que existem milhares de outras pessoas que escrevem fabulosamente como elas, mas meu quintal é pequeno e como diria o Manuel Bandeira, o trem é de ferro e "eu só levo pouca gente".
A blogosfera me fez conhecer mais intimamente algumas pessoas fantásticas, que o diga a Luci, que virou amiga, irmã de alma e de Cristo, e com quem estamos pensando um projeto legal de blog compartilhado. O É Primavera é um blog outro lado da moeda, sempre pensando positivo, sempre uma doçura, que a gente sabe que é genuína.
Tem ainda os conhecidos de carne e osso que também tem blogs e a quem fico feliz em seguir, pois os blogs são uma fofura só, que o digam a Gi, meu bem, dona do Por Coisas e a Hilzinha (também parceira de projeto) com o Espelho das Maravilhas. E sim gente tem blog que se autodeclara literário e que eu amo, beijos pra O Espanador, que me enche de informações interessantes.
A verdade verdadeira é que tem um jeito de bloguear que é o meu favorito. Adoro gente que escreve pouco e diz muito. Adoro aquelas postagem que tem apenas uma imagem e só. Parece que se está num museu. Uma frase, um pensamento, um espaço em branco. Uma linguagem direta ao coração e a imaginação, por há blogs que são meus xodós: o Na roda gigante da Dani, o Acriando da Veriana e o mais xodó, o blog que eu queria ter: a graça, a leveza, a poesia, o comprometimento com a vida e com o outro que tanto me inspiram, o Mundo Caduco
A Nine tem um jeito de escrever que nos aproxima muito dela, ela sabe brincar com as palavras, chamar os poetas pra dança. Acho que esse é o único blog que li TODAS as postagens. Porque no fundo, eu queria que meu blog fosse lindo assim. Nine, desde que você se formou e parou de escrever, tem uma lacuna bem grande aqui na blogosfera, tá tudo uma caduquice só.

1 !:

Nina disse...

Ah, muito obrigada por me citar por aqui. E é CLARO que eu ia retribuir sua visita, dona Ailma!
Blog bom é blog com registro pessoal, cheio de profundidade, lirismo, frescor.
Acho que o blog permite que a gente exponha acertos e erros. É assim que funciona.
Abraços.

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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