24.5.13

Profissão: Loser



Pela segunda vez perdi a prova prática de carro no DETRAN. Obviamente fiquei arrasada, me sentindo impotente e incompetente. Perdi de novo. E por umas horas me perdi. Me descontrolei; desisti de coisas. Ouvi uma série de bons intencionados conselhos que serviram apenas para que eu me sentisse pior. Fiquei repetindo sem parar aquele trecho de Tabacaria: "Vi, amei, estudei e até cri. E hoje não há mendigo que eu não vejo, por não ser eu."
Fernando Pessoa, sempre se encaixando em minhas desventuras.
No meio do lamento liguei para meu irmão e ele me disse secamente: Deixe de ser besta! Eu desliguei. E acordei. Ele tem razão. O que importa ao mundo se eu perdi pela segunda vez uma prova que todo mundo passa? Nada. Então lavei o rosto, ajeitei o cabelo (me sentindo a Inaura em Lisbela e o Prisioneiro), guardei minha autopiedade e fui trabalhar. Coloquei as músicas UP de Glee. A vida continua.
Horas depois me dou conta que estou fazendo um drama necessário, mas demasiadamente prolongado. Eu já devia estar acostumada a isso: a perda é um processo diário em minha vida. Eu nunca ganhei nada; não tenho sorte ou talento pra me livrar da derrota. Eu sei como poucos o que é perder todo dia. Sei que sou loser, mas não preciso de provas e testes que comprovem essa premissa empiricamente.É por isso que não gosto de fazer concursos e seleções; o investimento de tempo e motivação sempre se revela inútil. Nunca ganhei uma promoção, um bingo, um sorteio, uma cortesia no skoob ou mesmo um campeonato interclasse na escola. Nunca ganhei prêmio algum. Nunca fui eleita para nada (isso se explica pelo fato de que minha sensatez não me deixa concorrer).
 O problema é que na faculdade uma galera gente boa me fez acreditar que sou especial, que sou boa em algumas coisas que faço e isso infundiu em mim um espirito otismista do tipo "we are the champions". Só que a faculdade passou e a vida continua. E ontem ela me relembrou qual a minha real condição. A perda sou eu. Eis a minha sina. Uma sina de Macabéia, esperando a grande hora de ser estrela, e sendo atropelada sem dó. E a mim não coube o consolo de fazer chover.

2 !:

Andreia disse...

No fundo, acho que ninguém sabe lidar com a derrota. Pode-se sorri e dizer 'não faz mal, nem sempre se ganha', mas no fundo a decepção fica lá, amargurando-nos.

Eu acho que sou otimista por natureza. Se perder na 1ª vez, à 2ª esforço-me a duplicar, chego ao ponto de me levar ao limite. Porque acho que sendo filha de Deus, tudo é possível quando confiamos n'Ele. (Porque ter fé é muito fácil).

E depois, não dizia 'Ajuda-te e o Céu ajudar-te-á?'. Também acreditoque embora a decisão final caiba só a Deus, Ele quer que o merito da vitória seja 90% nosso.

Talvez agora não tenhas conseguido, mas de certeza que cedo ou tarde conseguirás. É só acreditares que consegues. ;)

Beijokas

Nina disse...

E quem foi que disse que precisamos ser vencedores em algo? A vida inventou essa história antes mesmo de nascermos apenas para que prestemos conta ao próximo. Como se outros tivessem algo a ver conosco. Não precisam ter. A vida é sua e eu espero, sinceramente, que ser vencedora seja uma realização pessoal plena. E não um troféu a ser exibido.
Abraços.

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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