21.6.12

pra não dizer que não falei das flores.


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"A força que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados" 
(Gabriel Garcia Marquez em Memórias de Minhas Putas Tristes)


Tenho uma relação muito estranha com o amor. Eu o respeito e  admiro de longe. Em alguns momentos quero tê-lo, mas na maior parte do tempo acho que estamos bem assim: um longe do outro. Ontem me peguei pensando que seria legal namorar, mas minha sanidade foi imediatamente reativada e comecei a me perguntar qual o sentido do amor. E sinceramente, acho que ele não foi feito pra mim. Não gosto de incertezas nem de incoerências, eu já tenho excesso disso, então me protejo coisas que sejam essencialmente assim e o amor é. Tive meus quase-amores, todavia o charme total residia no quase. Na expectativa do olhar confirmatório, na esperança do encontro ao acaso, nas pequenas certezas de ser dona do afeto da outra pessoa. Isso tudo é legal, é emocionante; mas também é desgastante. E quando não somos correspondidos? E como saber se é amor ou se é vaga inclinação? Acho que é por isso que gosto da Jane Austen. Em seu livros invariavelmente ela nos aponta que nós adoramos nos sentir sabedores do amor quando na verdade somos uns tolos quando se trata dele. A gente confunde amor com vaidade. Quem não lembra da Lizzy que achava que gostava do Wickham só porque ele bajulava ela. A gente confunde amizade com amor. Eis o exemplo clássico do Edmund bobo que só percebe que ama a Fanny no fim do livro. A gente confude amor com juventude e aventura. Que nos fale bem a Marianne Dashwood toda interessada no jovem quando o amor de verdade estava no velho.
Como saber se é amor de verdade? Como saber se é amor?
Acho tão desgastante essa necessidade de sair de casa com a obrigação de voltar amarrado a alguém. Sinceramente: Gosto mesmo é do amor de literatura. Aquele amor onde as pessoas não são boas, bonitas e bem resolvidas e ainda assim se amam. Sabe Chuck e Blair? Complicados. Pra mim isso é amor. Olhar para além do que se é e ter certeza de que aquela pessoa sim é outra parte de você. Mesmo que não fiquem juntos. Acho que amor é isso: a certeza de que existe outra pessoa no mundo que é perfeito pra você e mesmo assim ele é humano. Não acho que essa pessoa exista pra mim. Eu queria saber que ela existe. Saber do elo. Da conexão. Da sinergia. E isso já bastava.

1 !:

Gabriela P. disse...

Para de ser linda Mima.

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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