7.5.12

abandono


Esses dias fui assaltada com a estranha sensação de que minha vida tá passando e que nunca terei um grande-eterno-amor. Foi uma sensação ambígua. Por um lado quero ter isso, por outro não. Se por um lado sinto falta do andar de mãos dadas e compartilhar meus dias com outra pessoa, por outro me sinto aliviada por não andar de mãos dadas e não ter que compartilhar meus dias com outra pessoa. Sou muito prática nesse sentido. Acho o amor e os relacionamentos uma buniteza sem fim nos filmes e livros e só. Não acho que uma dessas histórias poderia acontecer comigo. Na verdade dado o meu histórico, nada acontece comigo. Sempre brinco que sou a coadjuvante sem graça nas novelas mexicanas de meus amigos. Eles sempre tem tanto amores fortes, dilemas, triângulos, problemas e eu, nada. Só ouço e aconselho meus amigos com a graça de quem não tem a menor experiência em amor e mesmo assim fica dando conselhos amorosos. Não sei. Acho que a pessoa certa não apareceu, e se apareceu eu estava muito distraída pra notar. Sei que nem todas as pessoas no mundo foram feitas para ficarem com alguém, algumas pessoas nasceram pra fazer companhia a solidão, acho que sou uma delas. O abandono me protege. E eu me distraio.

1 !:

gabriela m. four disse...

sou a pessoa mais indicada pra chegar aqui nos comentários e dizer: sei exatamente como é isso. '-'

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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