18.4.12

como flechas nas mãos do Valente


Ele me tira das suas costas. Me põe entre os seus dedos calejados, agora. Fita os olhos no horizonte e sorri. Eu não entendo. Eu nunca entendo. Estica o fio da minha vida... Deve me lançar? Meu coração dispara. Meu fôlego some. Tento me prender, em vão. GRITO. Sou lançada no ar. Tudo passa por mim tão rapidamente: as pessoas, as paisagens, o tempo. E mesmo assim parece que estou há uma enternidade fazendo esse longo percurso entre as mãos do Arqueiro e o lugar onde tenho que chegar. Seja lá qual for a minha linha de chegada, meu porto, meu alvo - eu não o enxergo. Eu tenho medo. E agora? Nessa parábola em que fui lançada, em que ponto me encontro? Entre as nuvens. Não quero descer. Tenho medo. O que estará me esperando quando eu chegar? E se eu não chegar? E se eu sem querer me inclinar, e sair da rota e errar o alvo? E se for mais pesada ou mais leve do que deveria? E se eu me perder?

É tão difícil ser flecha (...)


Nine do blog Mundo Caduco

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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