10.9.11

A hora da estrela vai chegar?


para se ler ouvindo A hora da estrela de Pato Fu.



Os prazos chegam ao fim. Mais um fim. Mais um começo. Ela se divide entre a nostalgia das tardes felizes partilhadas que não retornam e a expectativa da doce, lve e frágil liberdade que de longe lhe acena. No intervalo disso está a vida. Em movimento. Cheia de tristeza, cheia de beleza. E ela nem percebe. Como a Carolina do Chico, as rosas nascem, as pessoas sambam, mas ela nada vê. Ela se acostumou a quase-ser, ao estado de dormência, à indiferença do mundo. A autopiedade e a tristeza crõnica já se impregnaram na epiderme. E tem o olhar cansado, o coração inoperante e o sorriso amarelo fixo no rosto finginfo que tudo bem mesmo quando não está. Entretanto em algum lugar não identificado dela existe uma velha esperança verde que ela engoliu em um passeio no SER-TÃO. A esperança é cega e senil, mas não para de gritar dentro dela que sua hora vai chegar, como aqueles velhos profetas solitários grita que em breve haverá chuva no deserto.

Será que aquele lugar lá na frente vai ser dela?

1 !:

ૐ 'Priscylα disse...

O olhar cansado é de quem já viu muita coisa, quem já viveu muita coisa. Lindo blog, ficarei por aqui :D

Ailma Barros,
mais de mil perguntas sem resposta, muito prazer!

 
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