30.4.12

diários de pernambuco

"É que desde menino não passava de um coração pulsando com dificuldade no espaço. 
O sertanejo é antes de tudo um paciente" (A hora da estrela).



Saímos de Santa Filomena de volta pra casa. Na estrada o cenário da seca partiu meu coração. Açudes definhando, plantações de milho e feijão destruídas, pequenas porções de água barrenta disputadas por animais e gente. Uma ou outra árvore verde perdida na imensidão marrom. Terra vermelha. E ainda assim a vida pulsa, e resiste e insiste. Uma mulher  numa casa de um só vão, espera aos 39 anos o décimo terceiro filho. É a vida que segue. Com pedras no meio do caminho. Sem pipas no céu que voam ou no chão que trazem água.
Da janela fechada de meu carro com ar condicionado, vejo meninos na carroça puxada por um burro. Vejo gente cercada por caatinga, longe do mundo. Não sabem que o Barcelona foi desclassificado da Liga dos Campeões ou que uma moça raspou o cabelo na tv. Não sabem quando o céu mandará chuva e aplacará a agonia. Não sabem o que fazer ou a quem recorrer.
Engraçado que vivo no mesmo estado, há alguns quilômetros daqui. Temos o maravilhoso rio São Francisco e não sabemos de fato o que é seca. Me doeu vê-la tão perto, sem as lentes de Auto da Compadecida ou de Morte e Vida Severina. Legal o George Clooney lembrar das crianças do Sudão, mas quem lembra das crianças do sertão de Pernambuco?

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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