31.3.12

Desaniversário


2012 tem sido muito gentil comigo, não posso reclamar dele. Tive alguns dias absurdamente felizes, sempre cercada dos amigos caros que a vida tão gentilmente me deu. Hoje foi um desses dias, com minhas amigas, as melhores, rindo, chorando, dividindo, lembrando de alegrias passadas e planejando as futuras.
Se em 1999 você me perguntasse se eu achava que meus amigos de escola resistiriam quando a escola acabasse eu diria que não. Se você me perguntasse em 2005 eu queria muito que acontecesse, mas tinha dúvidas se ocorreria. Hoje eu tenho certeza. As AMIGAS da escola ainda estão aqui. O tempo nos desafiou e perdeu.
Desaniversários tivemos muito , tantas celebrações na Bis Burguer, no cinema, no shopping, nos filmes nas casas umas das outras, nas divisões de pizza. Será que percebemos isso? Cada momento desse foi uma razão a mais para ter contentamento na vida. Hoje percebemos isso e oficializamos o estar junto.
Essa amizade é especial não porque estudamos juntas sete anos e sim porque não desistimos de nós. Brigamos (contra tempo e agenda) pra ficar perto uma da outra; e isso não foi fácil.
Tivemos um hiato durante os anos, ficamos distantes. Faculdades, outros amigos, agendas divergentes, outros interesses... E há quem pensasse que não sobreviveríamos, mas somos SUBVERSIVAS e resistimos contra todas as expectativas e ficamos mais fortes e mais conscientes. Somos feitos da mesma matéria, por isso não nos afastamos.
Mesma matéria sim! Isso não implica dizer que somos iguais, pelo contrário, somos tão diferentes! Religiões diferentes, bairros diferentes, vidas sociais diferentes. Tem a sempre arrumada e eu a desleixada. Tem  quem gosta (eu) e quem detesta filme europeu alternativo. Tem a que gosta de Vander Lee e a que gosta de Seu Maxixe. Uma acredita que Paul Mcartney morreu enquanto outras abominam essa idéia. Tem a que ama o Rio Grande do Sul, a que adora o Piauí e a que não vive sem Pernambuco (me!). Tem as que preferem homens de barba e as que sentem agonia disso.
Luciana sempre mostrando que a competência pode andar junto com a loucura; Luana sempre ensinando que as vezes é preciso se colocar com toda intensidade nas coisas; e ainda Diane todo dia me lembrando que mesmo no rosto que anuncia a chatice existe um coração todo doçura e generosidade. O que seria de nós se Luana não desse chilique e Luciana não fizesse maluquices inesperadas e Diane não inventasse palavras e expressões novas sempre?. Elas não são apenas minhas amigas, são meu lar e meu aconchego. Não preciso impressioná-las, só preciso me ser, e tenho abraços certos e apoio irrestrito.
Hoje celebramos a resistência que os desaniversários deram a nossa amizade. Foi nos dias não celebrados, nos dias mais comuns que pusemos a prova o elo que nos une. Na sucessão de desaniversários fomos constatando o quanto nos queríamos bem. Percebi que não é uma escola que nos une e sim a igualdade de nossas almas. A cumplicidade silenciosa, o não-constrangimento no silêncio. Sim, fomos feitas da mesma matéria.
Esse desaniversário oficial só proclama em voz alta o que os desaniversários despercebidos sempre sussuravam: Nós somos maravilhosas juntas. 

Tempo, nós vencemos você.

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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