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9.12.13

todo dia ela faz tudo sempre igual


É maio. O café esfria na xícara. O calor irradia por todos os lados, as vezes se sente presa em um filme como Onde os fracos não tem vez sem Javier Barden matando pessoas. Um gato mia no muro. Na casa ao lado mais uma briga de marido e mulher. "Ah! Essas paredes finas!" Será que seus vizinhos ouvem suas lágrimas também? Sai de casa. O céu insultantemente azul, mas cadê as nuvens. Calor. Nenhum sinal ou esperança de chuva. "Era disso que você fugia Severino? Da tristeza sem chuva?" (Silêncio). A sapatilha nova está apertando os pés, por mais bonita que seja - como o amor - deixará calos, que ela vai estourar e virará ferida doendo por dias e a impedindo de usar outros sapatos. No ônibus muitos estranhos, como sempre; gente sem rosto e com compromisso, sempre atrasados. Ninguém está ouvindo música alta. Ainda bem! Uma mulher ensina a outra um remédio infalível para um mioma. Crianças querem ir na janela. Quando acordou essa manhã ela cortou o cabelo e está torto. Como se não bastasse não sabe passar blush. E está gripada. O cobrador é bonitinho. Ela ri ao pensar na sua vida afetiva nula. É realmente bom ou ruim não ter em quem pensar? "Suspiros são realmnete necessários na vida?" Fecha a janela, pois o vento está bagunçando seu cabelo torto. A gripe está muito forte. Queria mesmo era ficar em casa assistindo O labirinto do fauno e chorando por Ofélia. Lombada. Semáforo. Senta ao seu lado uma menina com um all star lindo. Acidente no caminho. Carro contra moto, morte e uma perna quebrada. Sobem no ônibus universitários. Ela lembra que há uns meses era um deles.
 Parece que foi há tanto tempo. Tosse. Tenta ler Mia Couto. O balanço do ônibus a embala.
 Dorme, baba, talvez passe do ponto. Sonha com Nánia.

8.9.13

A paixão segundo eu mesma

Uma barata surgiu detrás de minha porta.
Olhei para ela, ela olhou para mim. 
Se eu fosse uma escritora, escreveria um livro sobre a barata; 
mas como sou uma moça prática a matei e continuei a limpar meu quarto.

16.8.13

Depois da aula de Saúde Mental


Hoje na aula de Saúde Mental II discutíamos sobre a intensa medicalização que tem marcado o nosso tempo. Umas horas sem conseguir dormir tem levado muitos de nós a tomar ansiolíticos e dormir.Não se pensa mais no que gerou essa "insônia", pois não é bom para nossa lógica capitalista que grita bem alto: "Prazer, consumo, bem-estar, poder!". Tudo o que for de encontro a essa lógica deve ser evitado de todas as formas. Decidimos que não queremos mais a dor, afinal ela é desagradável, e a todo custo nos anestesiamos contra ela. Todavia, esquecemos que precisamos dela para nossa sobrevivência. Biologicamente é a dor o guarda que avisa "há problema no dente". Filogeneticamente foi a dor o nosso impulso gerador através dos anos. É também por causa dela que chegamos a esse nível de sofisticação. Negar a dor é negar uma parte importante de nós.

O meu corpo é cheio de cicatrizes. Tive uma infância feliz o suficiente para cair de pé de manga, cortar o pé nos arames da roça de meu tio e me ferir e machucar com mil e uma estripulias. E lembro que toda a vez que a ferida ia cicatrizando eu tirava a casquinha com o dedo. Sempre mantive uma relação legal com as 34 mil cicatrizes de meu corpo, porque elas me apontam uma coisa importante: eu vivi!

Cada cicatriz conta a história de um dia que foi especial. Ainda está aqui o corte da primeira viagem, a ferida adquirida na inauguração da roça de meu tio quando cai do umbuzeiro. Ainda estão aqui as marcas da catapora. E todas elas dizem a mesma coisa: "Moça como você foi feliz!!"

A dor também pode ser um momento em suspenso muito importante que temos para avaliar nossas vidas. Um exemplo clássico disso é a velha dicotomia entre Oriente e Ocidente. Enquanto um vê na dor uma oportunidade de aprender e ser sábio. O outro a evita sem escrúpulos.

Salomão diz que é mais sábio ir a um funeral que a uma festa, já que o primeiro nos concede a possibilidade de refletir sobre nossas ações e avaliar se elas são coerentes com o que consideramos correto. Não estou sendo fenomenológica, nem fazendo apologia em favor de ficarmos eternamente trites. Não, não é isso. De maneira nenhuma!
Só que me parece que estamos avançando rapidamente para o Admirável Mundo Novo da imaginação de Huxley. Estamos com afinco e sem refletir nos tornando máquinas de alegria constante e mecânica. Entre Ritalinas, Gardenais, Diazepans e afins vamos avançando na nossa felicidade totalitária rumo ao um "soma" de fato. A anestesia final, a eterna felicidade. Tudo bem. Sem questionamento ou auto-reflexão ou inquietação. All rigth!

Podemos optar pela anestesia, e em consequência perderemos parte de nossas vidas. Perderemos o limite! Eu sinceramente se pudesse escolher não abriria mão de nenhuma de minhas cicatrizes porque elas são relíquias, sinais, símbolos de uma vida que foi intensamente vivida! Mesmo que com isso, eu passasse por toda dor e choro novamente!


Engraçado como textos escritos há quatro anos ainda fazem sentido.

31.7.13

memória hai-kai


Era uma vez um menino que colecionava disquete. Ele dizia que era apaixonado pela memória e que tinha certeza que morreria com Alzeiheimer, já que esquecia das coisas com muitas facilidade.
Para ele o Museu da Pessoa é o mais bonito que já foi feito, mais bonito que o Louvre ou Met. Ele chorou quando eu lhe contei que Gabo estava demente e não pode mais escrever. . Aí entramos naquela velha história de que os gregos antigos não tinham medo da morte e sim do esquecimento... a velha conversa entre Aquiles e sua mãe... e coisas assim.
Ele me disse: "não tem nada mais triste que o esquecimento. Lembrar é a coisa mais bonita do mundo e pra mim, os disquetes são a memória em forma de hai-kai. Um jeito bonito de poetizar as lembranças... num sei."

O menino tem 14.183 disquetes e continua juntando mais.

26.12.12

Hora de arrumar o armário



(...)


E seja aquela hora que você quer ficar só. Com seus discos. Seus livros. Seu chocolate meio amargo. Seus desgostos. Suas esperanças. Seus sonhos. Seus olhos cansados.Seu café-com-leite. Suas poucas certezas e suas muitas dúvidas. Com seu dedão do pé. Suas lembranças agridoces. Suas fotografias amareladas. E o bilhetes ilegíveis que seus amigos te davam na sexta série e você ainda os guarda. Com suas bonecas. Suas frustrações  Seu amor-platônico-impossível-que-mesmo-assim-você-ridiculamente-alimenta. Suas retinas cansadas. Seus filmes de Wood Allen. Suas dores de cabeça. Seus medos. Suas saudades. 
Sua razão ou a falta dela. Sua loucura. Sua paz. Sua guerra.
 Sua espera. Seu tolo coração.

13.12.12

but tigers come a night


Na vitrola: I dreamer a dreamer



Sonho.: sm.
1. Sequência de fenômenos psíquicos (imagens, atos, idéias, etc.) que involuntariamente ocorrem durante o sono.
2. Aquilo com que se sonha.
3. Fig. Fantasia, ilusão.
4. Fig. Desejo, aspiração.
5. Cult. Bolinho leve, frito, feito com farinha, leite e ovos.
.
.
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Sonhos meus, por favor, ao contrário dos da Fantine, resistam ao tigres que vem a noite. Resistam aos nãos, ao tempo, as intempéries, a loucura. Resistam sonhos, e sejam doces, como um bolinho leve.

5.12.12

dos mal amados desse trópico.




Pois é . O amor faz isso e não a cólera. O amor nos faz tolos. Nos faz redigir uma carta de setenta e sete páginas e descartá-la entregando só um pedaço de papel com uma frase, sussurra o Florentina Ariza. O amor nos dá febre e medo. O amor nos mostra o quanto não somos bons o bastante. E me parece que quanto mais amamos mais patéticos ficamos. O amor nos deixa pálidos e meio esquizofrênicos. Nos torna perseguidores. O amor nos faz chorar com um velho bolero. O amor nos faz comer terra novamente não é Rebeca Buendia?! Ele tira a nossa boa noção de tempo e gerações. Ficamos velhos apaixonados por meninas. O amor nos amarra a loucos por toda uma vida e deixa somente secura, me diria a Úrsula Buendia. O amor nos mata de engano me lembra o Santiago Nasar. O amor não respeita a nossa genética, a Amaranta aponta. O amor nos leva a revoluções fracassadas. O amor sem esperança é uma terrível calamidade pública e ainda assim nós esperamos. Esperamos cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias se for preciso. E nos contentamos com tão pouco. Um olhar é a glória. Um sorriso em nossa direção, EPIFANIA! O amor nos ensandece.  O amor nos enfraquece e nos embrutece. 
A verdadeira moléstia tropical é o amor sem esperança, não a cólera.

3.12.12

quarta feira



Como toda a tarde de quarta feira, lá está ele, sentado displicentemente na poltrona lendo Huxley. Você não sabe o nome dele, apenas que ler Aldous Huxley e os escritores russos e que quando sai da biblioteca vai para a natação. 
Você já imaginou várias vezes puxar conversar com ele sobre algum livro, ou fingir que também faz natação... Até que um dia ele percebesse que você é o amor da vida dele. Violinos tocariam ao fundo e ele te beijaria e a menina que sempre ler Agatha Christie do outro lado da biblioteca diria que sabia daquilo desde o começo. Mas isso é fantasia. 
A menina loira que o beijou na saída ontem impede tudo. Sua consciência (ela existe? Perguntaria Skinner) impede tudo aquilo. Mas você continua sonhando. O sonho não tem limite algum. O limite só existe na realidade...

27.11.12

O avesso da ampulheta

Na vitrola : do Avesso


Hoje eu voltei a ter 15 anos. E a ficar nervosa tentando chamar sua atenção. Inventei mil desculpas para passar na sua frente. Encenei o papel de moça madura e bem resolvida que não liga para essas coisas de amor. Só que meu coração queria ficar perto de você. A memória dele é curta. Ele queria bater no mesmo ritmo que batia quando existia um nós. Só que não existe mais. Vai ver nunca existiu.
A pior parte, a mais patética, é que hoje tenho 24 anos e contra todas as minhas expectativas meu coração ainda se enche de alegria ao te vê.

26.9.12

2005



Me devolva a poesia que você me roubou. Me devolve os risos, e aqueles telefonemas as 22 horas pra conversar sobre o dia. Me devolve a certeza do "para sempre" e a sensação de que os poemas do Vinícius foram feitos para mim. Me devolve aquela coragem de pular de precipícios só pra segurar tua mão. Me devolve a vontade de aprender a tocar contrabaixo e a aceitação de que amores amigos são possíveis. Me devolva aqueles silêncios; eles também me pertenciam. Porque você carregou consigo minha permanente empolgação com a vida?
Me devolva as palavras, os sms, as cartas, os amigos. Me devolva o futuro e a doçura. Pode ir embora. Vá. Hasta la vista. Mas me deixe. Deixe aqui tudo o que é meu.

24.8.12

Clube da Macabéia S/A

Pergunto eu: conheceria ela algum dia do amor o seu adeus? Conheceria algum dia do amor os seus desmaios? Teria a seu modo o doce voô? De nada sei. Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só. A nordestina se perdia na multidão. 
(A hora da estrela, pág. 56)



Sim, são moças nordestinas. Sonhadoras. Provavelmente não são modelos de beleza que saem na capa da Boa Forma. Tem pouca experiência em iniciar conversas com rapazes. Elas em algum momento vão falar de prego e parafuso. São acostumadas a grandes silêncios. E vezenquando sentem um vazio não explicado na região do tórax. Por breves períodos de tempo são alheias ao mundo e este é sempre alheio a elas. Não chamam a atenção, não estão na moda, são invariavelmente engraçadas e muito atentas as coisas delicadas dessa vida. As vezes se importam com a sobrevivência das moscas e vez por outra ingerem aspirina pra aliviar  a dor no coração. Os moços não sabem lidar com elas e sempre preferem a amiga Glória.
Reagem a vida com muito humor apesar dos muitos não que recebem. Cantam desafinadas. Sim, elas são moças nordestinas, nascidas num sertão desacreditado. Se você não olhá-las com bastante cuidado vai considerar que são feias. E talvez sejam. Elas são incompetentes para a vida. Falta-lhes o jeito de se ajeitar. Elas estão para além das aparências. Hoje elas perdem tempo com Olímpicos da vida; mas o futuro é generoso com elas. Talvez a mulherice tarde a chegar. E sim essas essas moças ficam inesperadamente felizes com arco-íris aos domingos. E guardam para si o luxo de ir ao cinema uma vez por mês. Elas gostam de Coca Cola, vestem-se de si mesmas e passam os dias representando com obediência o papel de ser. As vezes cobiçam por um leve instante livros esquecidos sobre as mesas. No fim, elas precisam da esperança louca e cega de que terão um destino fabuloso e conhecerão um estrangeiro chamado Hans de olhos azuis ou verdes ou castanhos, vasto é o mundo de possibilidades. No fim elas esperam que a hora de estrela de cinema chegue. E logo.

9.7.12

de volta para o futuro


Depois de amanhã talvez você perceba que não tem mais 19 anos e que o mundo não está a sua espera. Você vai descobrir que é tão especial quanto os outros seis bilhões de habitantes do planeta. E talvez se lamente porque esse menino fofo-inteligente- que te olha com afeto durante a aula simplesmente vai te esquecer. E por sua culpa. Depois de amanhã você vai está mais madura e mais dura e vai querer novamente o olhar desse menino, mas ele vai pro sul ter a vida que sempre mereceu e que você nunca fará parte. Depois de amanhã você vai querer voltar no tempo e responder os emails dele derramando todo esse afeto que você tem guardado. Depois de amanhã você vai querer, pedir e desejar profundamente os emails que ele te manda hoje e só terá coisas do trabalho em sua caixa de entrada. Depois de amanhã você vai sentir saudade de hoje. Depois de amanhã você vai descobrir que não é personagem da Jane Austen pra fazer mil idiotices, esnobar e ainda assim terminar com o Mr. Darcy ou com o Capitão Wentworth.  E vai sentir arrependimento. Pelo beijo não dado e o afeto não declarado. Depois de amanhã vocês serão meros e frios conhecidos.
Depois de amanhã você será apenas mais uma promessa que não aconteceu. E já vai ter lido Sartre e Foucault e continuará se refugiando na solidão.  Depois de amanhã você terá menos amigos e os seus sonhos terão mais foco. Você vai querer morar em Barcelona. Depois de amanhã você continuará andando na estrada de tijolos amarelos só que já terá descoberto que o Grande Oz é uma farsa e o jeito é continuar no caminho...

21.6.12

pra não dizer que não falei das flores.


.
"A força que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados" 
(Gabriel Garcia Marquez em Memórias de Minhas Putas Tristes)


Tenho uma relação muito estranha com o amor. Eu o respeito e  admiro de longe. Em alguns momentos quero tê-lo, mas na maior parte do tempo acho que estamos bem assim: um longe do outro. Ontem me peguei pensando que seria legal namorar, mas minha sanidade foi imediatamente reativada e comecei a me perguntar qual o sentido do amor. E sinceramente, acho que ele não foi feito pra mim. Não gosto de incertezas nem de incoerências, eu já tenho excesso disso, então me protejo coisas que sejam essencialmente assim e o amor é. Tive meus quase-amores, todavia o charme total residia no quase. Na expectativa do olhar confirmatório, na esperança do encontro ao acaso, nas pequenas certezas de ser dona do afeto da outra pessoa. Isso tudo é legal, é emocionante; mas também é desgastante. E quando não somos correspondidos? E como saber se é amor ou se é vaga inclinação? Acho que é por isso que gosto da Jane Austen. Em seu livros invariavelmente ela nos aponta que nós adoramos nos sentir sabedores do amor quando na verdade somos uns tolos quando se trata dele. A gente confunde amor com vaidade. Quem não lembra da Lizzy que achava que gostava do Wickham só porque ele bajulava ela. A gente confunde amizade com amor. Eis o exemplo clássico do Edmund bobo que só percebe que ama a Fanny no fim do livro. A gente confude amor com juventude e aventura. Que nos fale bem a Marianne Dashwood toda interessada no jovem quando o amor de verdade estava no velho.
Como saber se é amor de verdade? Como saber se é amor?
Acho tão desgastante essa necessidade de sair de casa com a obrigação de voltar amarrado a alguém. Sinceramente: Gosto mesmo é do amor de literatura. Aquele amor onde as pessoas não são boas, bonitas e bem resolvidas e ainda assim se amam. Sabe Chuck e Blair? Complicados. Pra mim isso é amor. Olhar para além do que se é e ter certeza de que aquela pessoa sim é outra parte de você. Mesmo que não fiquem juntos. Acho que amor é isso: a certeza de que existe outra pessoa no mundo que é perfeito pra você e mesmo assim ele é humano. Não acho que essa pessoa exista pra mim. Eu queria saber que ela existe. Saber do elo. Da conexão. Da sinergia. E isso já bastava.

14.2.12

outra chance.

E se nós tivéssemos de fato a surpreendente chance de dizer enfim SIM a alguém que dissemos não? Assisti ao filme Segunda Chance para o Amor e fiquei pensando nisso. "Puxa que sorte esses personagens tiveram de se encontrar novamente e ignorar questões como mágoa e orgulho. Adoro quando vejo pessoas com espíritos de Mr. Darcy porque sei que fui Elisabeth Bennet pelo menos uma vez na vida. Uma das pessoas mais incríveis do mundo demonstrou um afeto que eu não merecia e ainda assim eu recusei. Quantas vezes não me arrependi desde então? Hoje vejo uma coisa, um caso, um detalhe, uma história e quero dividir com ele. Mas ele não está mais lá. Todavia ainda olho para o espaço vazio pensando que estava completamente louca de não tê-lo segurado, amarrado, coagido a ficar perto de mim., do meu  lado e aceito que minha vida sem afetividade é o resultado da mistura de minha burrice crônica com minha tolice circustancial. Mas sabe qual é a parte que mais me revolta? É cair no velho clichê de perceber o quanto ele me importa quando já não existe a menor possibilidade que se lembre de mim. Olho de longe num misto de auto desprezo e inveja as pessoas que hoje convivem com ele. Segundas chances são raras e só acontecem com buniteza nos filmes

13.10.11

Não solta da minha mão.


Sabe qual é a pior parte? É o fato de que mesmo contra a minha vontade, minha vida segue girando em torno da sua como os pobres planetas giram em torno do sol precisando de luz e eixo. Leio Dom Quixote já imaginando quando terei a oportunidade de falar disso pra você. Fico a semana toda imaginando e narrando meu próprio cotidiano de maneira que ele se torne instigante e você perceba (mesmo que de relance) o quanto sou inteligente, bonita e interessante. E aí quando finalmente chegam os dias que nos encontramos (pra trabalhar) eu sempre pareço boba, sem graça, atrasada e como você bem salientou, covarde. Saia da minha cabeça! Fique na minha vida apenas nos horários específicos do calendário acadêmico. Não se meta em meus pensamentos, não invada mais meus sonhos. Acho que você foi a melhor e a pior coisa que me aconteceu esse ano. Porque você mexeu com tudo. Eu quis ser bonita perto de você e indiferente e inteligente. Entretanto fui provinciana e só falei bobagens. Nunca passei de uma menina estúpida com saia de bolinhas te olhando timidamente.
E a pior parte foi quando você segurou minha mão por uns dois segundos que valeram para sempre. O encaixe perfeito de nossas mãos. A sensação de amparo, cumplicidade, segurança. O mundo estava aos meus pés naquele momento... Ultimamente tenho me interessado por tudo o que lembre você. Qualquer coisa é um pequeno tesouro. Guardo cada expressão, cada sorriso, cada vez que você coloca os óculos de grau na cabeça como as pessoas geralmente fazem com os de sol. Guardo a sete chaves a folha de meu bloco de anotações que você riscou um dia tentando nos explicar sobre a memória. Depois de você amo Alice no País das Maravilhas. Depois de você penso seriamente em fazer um facebook só pra te ter como amigo em uma rede social. Depois de você as segundas se tornaram os melhores dias do mês. Depois de você uso maquiagem. Depois de você não quero mais ser a garota engraçada que faz todo mundo ri. Agora quero ser a garota que você não tira da cabeça. Depois de você tudo ficou confuso e ainda assim eu ficaria feliz de segurar sua mão novamente. Ainda que fosse só por mais dois segundos.

26.9.11

Querido estranho


 Para ler ouvindo Sorte e Azar de Pato Fu.


E se distraidamente eu me apaixonasse por você? O que vai acontecer? Suspiros, suspiros e mais suspiros. Depois ficarei repassando em minha cabeça o quanto você é lindo, seus gestos, o charme de seus óculos, o seu perfil. E depois? Depois nada. Não sei seu nome, de que cidade você é, seu telefone ou email. Não sei nem se você olhou mesmo pra mim ontem ou se era apenas minha imaginação fértil. 
Sei que queria ter te conhecido, apertado em sua mão, olhado em seus olhos, sondado se eu teria ou não chance com você. Mas quando eu te olhei você encarou o chão. Era timidez ou não queria o mesmo que eu? Será se vou te vê novamente? As poucas horas de ontem não bastaram. Eu queria mais de você. Não sei porquê. Acho que quero dividir um capuccino com você numa velha livraria.

21.6.11

coca cola


e ela entrou na cantina da faculdade rindo com os amigos. E lá estava ele. Blaśe. No auge de sua típica indiferença. E ela lembrou que o que mais gostava nele era o seu ar de alma antiga, cansada de tudo. Primeira reação? Se controlar! Mas como? Em algum lugar as dopaminas e serotoninas festejavam em seu sistema nervoso. E as mãos não paravam de suar. E as borboletas mortas em seu estômago ressucitaram. "Seja indiferente". Ela repetia pra si mesma. Dopamina. Serotonina. Aquele orgão ressecado no lado esquerdo do tórax dava pequenos impulsos involuntários. Não parecia que aquelas sensações estavam adormecidas há um ano! Pediu uma coca cola. Esqueceu que tinha fome. Os risos irônicos com os amigos foram substituidos pelo riso bobo e involuntário de uma afetação que sobreviveu ao tempo e ao silêncio. O silêncio sempre foi um amigo e inimigo dessa coisa que existia, mas ela não sabia explicar o que era. Seria amor? Acho que não já que esse é sempre forte e deixa as pessoas melhores e só ocorrem quando os dois sentem. Aquilo não era amor. Nem ela sabia o que era. Mas gostava mais daquilo que do amor. Acho que ela nunca amou. Era covarde e egoísta demais para sentir essas coisas altas, nobres e belas. Desejo? Mas esse não é patológico e conflituoso? Aquilo não era desejo. Nunca trouxe angústias para ela. Sempre foi uma alegria pequenina e leve. Sua estrutura sempre foi de uma bolha de sabão. Ele ficou olhando-a sem parar. Riu. E junto com ele todo o universo disse um grande sim pra ela. Alegria. Isso sim! Aquilo era alegria. A genuína e boboca alegria que nos pega de surpresa, deixa tudo com cara de filme francês e que logo esquecemos no dia seguinte.

14.6.11

orégano



A verdade verdadeira é que eu queria me esconder no teu abraço e esquecer quem sou e quem é você. E fingir que a distância e o pouco conhecer não são importantes. E esquecer todas as regras e convenções que impus a mim mesma para me proteger das reações adversas dos sentimentos. E ignorar essa luz vermelha dentro em mim advertindo que vou me machucar.
a verdade é que eu nem queria ser feliz, mas também não queria ser personagem de novela mexicana. Eu queria viver. E queria talvez um mar na minha janela, um tanto da poesia do Quintana e da prosa do Garcia Marquez. Um pouco de café. Algum tempero. Algum afeto. E o calor de teu abraço. O contato inexplicável de pele com pele, saudade com saudade, alma com alma. Me deixa me perder no teu abraço?

11.4.11

quase-amor


é comovente quando o mesmo rapaz permanece apaixonado por você apesar dos anos, da distância e da esperança desfeita.


dá uma vontade louca de se apaixonar por ele também.
(no fundo, no fundo você já é meio apaixonada por ele).
Então é.

até hoje você rir ao lembrar da primeira "briga" de vocês sobre quem é mais importante: Gandhi ou Michael Faraday

porque vocês dois tem tanto em comum, e o jeito fofo, a inteligência pungente e os aforismos de Nietzsche que ele te mandavam sempre te balançaram


então porque vocês dois não estão juntos?

Boa pergunta

Ailma Barros,
mais de mil perguntas sem resposta, muito prazer!

 
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