2.2.15

gregório samsa acordou de sonhos intranquilos



um sonho me perseguiu, acordei e fiquei com ele na cabeça o dia todo.
o sonho é meio metafórico na verdade. ele me impressionou.
no meu sonho muito vívido cheio de cores, texturas, cheiros, sensações e sabores eu estava na sala de espera para embarque. uma sala muito semelhante a de embarque internacional de garulhos.
eu não tinha passado pelo chek in, sabia apenas que ia viajar, que numa dada hora meu avião chegaria, eu embarcaria e assumiria meu destino. eu não sabia pra onde viajaria mas estava empolgada pois essa viagem parecia importante demais. 
na sala de embarque pessoas entravam e saiam com uma grande frequência. e nesse fluxo apareceram três grandes amigos. fiquei tão feliz de vê-los. não os via há muito tempo: uma amiga faz faculdade em outra cidade, outro terminou a faculdade comigo e está no mestrado, a outra conseguiu um grande emprego quase nunca nos vemos. mas estávamos lá, nos encontrando nos bancos da sala de embarque. esperando que o número de nosso voo fosse proferido nos alto falantes. havia apenas uma diferença: eles tinham o bilhete de embarque. sabiam para onde iria, a que horas e que companhia pegariam. estavam tranquilos. e eu também aparentemente. estranhamente eu acreditava que viria alguém me avisar sobre meu voo. alguém viria! eu me apegava a esta esperança criada por mim mesma. meus amigos tinha expectativas concretas baseadas em planejamento e ação.
eu ficava feito uma louca feliz por revê-los e querendo tirar fotos com eles. mas havia uma confusão instalada. talvez na minha alma que me impedia de um contato mais profundo. parte da confusão impedia que eu tirasse fotos: eu perdia minha bolsa, a pessoa que eu pedia que tirasse a foto se recusava. pequenos contratempos aconteciam e eu não tirava fotos. a primeira amiga embarcava. nos abraçávamos numa despedida cálida.  eu ia até perto do avião. mas não era o meu. ficava com uma sensação de perda pois seria legal viajar junto com ela. mas pelo jeito meu voo era desconhecido e solitário.
estranhamente chegavam outros amigos e conhecidos. as cenas se repetiam: eu não conseguia uma foto sequer, eles sabiam pra onde ia e eu esperava. não sabia o que exatamente, mas esperava.
o sonho foi longuíssimo. as conversas eram reais, as pessoas iam me dizendo sobre suas vidas, e a medida que eu as ouvia intimamente me preocupava com meu voo, pois eu não sabia nada sobre ele. comecei a pensar que estava enganada. eu não ia voar... depois concluía que sim, eu iria voar, apareceria alguém da companhia! era uma angústia. e eu continuava sorrindo, abraçando E celebrando que tive a oportunidade de encontrar tantas pessoas queridas naquela sala de embarque. mas elas entravam naquele corredor rumo ao avião e ao voo e eu não. eu continuava na sala de espera indefinidamente..

acordei. a primeira sensação foi: sou um personagem do Kafka, só isso explica! daí pensei nas pessoas do sonho. de fato sinto saudade delas. de fato elas estão em voos bem altos e estranhamente eu estou à espera. de que? não sei. apenas sinto que gostaria muito de embarcar e enfim voar.

Ailma,
árvore plantada junto a ribeiros de água, muito prazer!

 
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